Moreno consegue alguns ajustes, mas ainda lhe falta leitura de jogo pras mexidas

Empate com Novorizontino or 1 a 1

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Foto: Guilherme Vieira/Novorizontino
Foto: Guilherme Vieira/Novorizontino

O empate por 1 a 1 da Ponte Preta contra o Novorizontino, na largada do Paulistão, sinaliza que o treinador pontepretano Fábio Moreno conseguiu alguns ajustes na sua equipe desde que substituiu Marcelo Oliveira, mas ainda falta-lhe a devida leitura quando a bola rola. Isso ficou evidente durante o segundo tempo da noite deste sábado, em Novo Horizonte.

Já o comandante adversário, Léo Condé, sabiamente mexeu no tabuleiro e com isso viu o pleno o domínio de sua equipe, embora não tivesse alcançado a vitória.

Aquela Ponte Preta outrora acovardada para saída de bola, que optava por chutões, foi trocada por confiança pra valorizar o início da jogada, notadamente quando não sofria marcação alta do adversário.

Aqueles toques de bola lentos e improdutivos para começo de jogadas, predominantes na última Série B, apenas foram vistos raramente, pois o fluxo para chegada ao ataque foi melhorado.

Se a compactação ainda não foi devidamente adequada quando predominou o equilíbrio entre as equipes durante o primeiro tempo, pelo menos viu-se aproximação maior dos jogadores, de forma que o miolo de zaga não ficasse tanto desprotegido, como no passado recente.

E mais: por orientação do treinador ou decisão dos próprios jogadores, por vezes até o jovem atacante Pedrinho, incumbido de usar o lado direito, derivou para a esquerda a fim de fazer companhia a Moisés e Camilo, posicionados por ali, para que a marcação do lado direito do Novorizontino fosse confundida.

Se o lateral-direito Felipe Rodrigues era envolvido pelo volume de jogo por seu setor, e o pesado zagueiro Bruno Aguiar não dava conta na cobertura, aí faltou precisão ao ataque pontepretano para terminar bem as jogadas.

Se o goleiro Luan, da Ponte Preta, sequer foi exigido durante o primeiro tempo, contra-ataque de sua equipe, aos 44 minutos, pela lado esquerdo, foi fatal através de Moisés, que abriu o placar.

CONDÉ AJUSTA

São nestas circunstâncias que se constata que Léo Condé, treinador do Novorizontino, é conectado com aquilo que acontece no gramado.

A troca do apático Guilherme Queiroz por Cléo Silva resultou em mais movimentação pelo lado direito do ataque do Novorizontino.

Acerto em cheio de Condé foi quando voltou para o segundo tempo com Willean Lepu, meio-campista de mobilidade, apropriado para o desarme e facilidade de transição ao ataque, no lugar do apagado Barba.

Com a entrada de Willean, cresceu também o rendimento do meia Murilo Rangel, solto em campo, diferentemente dos tempos de Guarani quando usava mais o lado esquerdo.

E como ambos dominaram o setor, o Novorizontino começou a dar as cartas do jogo, porém faltando objetividade quando chegava no último terço do campo.

Apesar disso, é praxe a Ponte cometer pelo menos uma falha comprometedora quando atacada. E foi em cobrança de lateral do Novorizontino que sofreu o gol de empate aos 22 minutos.

No desdobramento da jogada, a bola foi desviada na perna do zagueiro Ednei e se ofereceu para Murilo Rangel, que girou e a colocou no canto direito.

FÁBIO MORENO

Um minuto antes de sofrer o gol de empate, o treinador Fábio Moreno havia feito duas mexidas no time pontepretano.

Evidente que havia passado da hora de sacar Vini Locatelli, envolvido no setor, mas sem contar com volante da experiência de Barreto, recorreu ao garoto Igor Maduro, recém-saído da base, que entrou mal no jogo.

Viu-se claramente que o meia Camilo estava desgastado, e o recomendável seria substituí-lo.

Mantê-lo em campo foi um erro num time que precisava reforçar a pegada na cabeça da área e mobilidade para prender a bola.

PEDRINHO

A saída de Pedrinho só se justificaria na hipótese de algum incômodo muscular, porque não houve ganho na troca por Bruno Michel, que não soube puxar contra-ataques.

Moreno também demorou para sacar o atacante Paulo Sérgio e colocar em campo o atacante João Veras, fato ocorrido apenas aos 38 minutos do segundo tempo, quando o time dependia de alguém que prendesse a bola no ataque para evitar o 'bate-volta'.

De qualquer forma, a cara mostrada pelo time da Ponte durante o primeiro tempo, com perspectiva de implementações no setor ofensivo, dá um alento ao seu torcedor de que esta temporada possa ser bem melhor.

Cabe, portanto, um pouco de paciência.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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