Atacante Davó precisa melhorar até fundamentos

A atacante Davó, do Guarani, que na prática não é aquilo que nós supúnhamos que fosse. Só marcou dois gols na Série B

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Convenhamos que pra quem conquista títulos relevantes, como o Flamengo, é compreensível a boleirada 'tirar uma onda' e pintar o cabelo, dando uma 'loirada'.

Que ficou sem graça alguns boleiros bugrinos amarelarem os cabelos, isso ficou. Afinal, escapar do rebaixamento aos 30 minutos do segundo tempo não é motivo pra comemoração.

Ainda sobre Guarani, quando revela jogador com certa facilidade de drible, a mídia em geral - e aí me incluo - precipitadamente o rotula de talentoso.

Pois essa história é 'vendida' aos torcedores, que acreditam cegamente.

O dito 'nada melhor de que um dia após o outro' faz com que caiamos na realidade, reflitamos cautelosamente e cumpramos o real papel de mostrar os fatos como eles são.

Nesse preâmbulo encaixa-se o atacante Davó, do Guarani, que na prática não é aquilo que nós supúnhamos que fosse.

Logo, o fato de o Guarani ter negociado os direitos econômicos do atleta ao Corinthians não deve ser lamentado.

FUNDAMENTOS

O jogador pode até nos desmentir na sequência, mas hoje não. Na base faltou-lhe orientação para que dominasse fundamentos.

O que provocava certo embaraço para defini-lo melhor era a ineficiência de criação do time bugrino neste Campeonato Brasileiro da Série B, dando a impressão de Davó ressentir falta de companhia para melhor conexão das jogadas ofensivas.

Davó continuou aplicando driblinho aqui e outro acolá. Aí o rotulamos de atacante talentoso, quando na prática precisa ser trabalhado individual e coletivamente.

Observem que diferentemente das categorias de base, Davó não se identificou como homem gol na equipe principal do Guarani. Salvo engano marcou apenas no empate com o Sport por 1 a 1, em Recife, e na vitória por 1 a 0, igualmente fora de casa, diante do Figueirense, neste Brasileiro da Série B.

FALHA NA BASE

O que se constata hoje é que Davó carece de fundamentos que deveriam ter sido trabalhados na base.

Ele sabe cabecear? Não. Chute forte? Não. Sabe procurar o melhor posicionamento na área adversária, para fugir da marcação adversária? Raramente.

Também não corrigiram dele o real discernimento do jogo coletivo da individualidade.

Na maioria das vezes prende a bola excessivamente, e o drible pelo drible resulta na perda da bola.

É preciso que tenha reflexo mais rápido e lucidez para sequência da jogada ofensiva.

Invariavelmente cansa na metade do segundo tempo, aspecto estranho para um garotão de 20 anos de idade.

Virtude? É jogador com relativa mobilidade, embora não seja velocista. Desta forma deveria aproveitar melhor as jogadas de contra-ataque.

SUBSTITUIÇÕES

Portanto, o treinador Tiago Carpini, do Guarani, não pode ser criticado por tê-lo substituído com frequência.

É discordante o argumento que Davó 'tirou o pé' após negociação ao Corinthians, e que não deve mais vestir a camisa do Guarani.

Davó carece de um treinador que recupere inicialmente aquilo que deixou de ser feito na base, e melhore consideravelmente a condição técnica dele.

Caso isso não ocorra, não vai passar de jogador para equipes intermediárias.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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