Em cerimônia restrita, ex-técnico da seleção é sepultado em Monte Azul Paulista

Vadão foi sepultado em cerimônia de muita emoção na manhã desta terça-feira

por Agência Futebol Interior

Monte Azul Paulista, SP, 26 (AFI) - Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão, foi sepultado na manhã desta terça-feira na cidade de Monte Azul Paulista. A cerimônia foi restrita e contou com a presença apenas da família e de amigos mais chegados, respeitando todas as orientações dos profissionais de saúde em combate ao novo coronavírus.

A emoção tomou conta da cerimônia, tamanho o carinho deixado pelo ex-treinador de Corinthians, São Paulo e Seleção Brasileira Feminina. O treinador era querido até mesmo entre jogadores, comissão técnica e jornalistas. A família optou por não dar entrevista durante o sepultamento.

Vadão, 63 anos, faleceu na última segunda-feira. O ex-treinador não resistiu ao tratamento de um câncer no fígado, que acabou se espalhando para outros órgãos.

"É uma gigante tristeza para o Atlético Monte Azul e para toda população monteazulense. Vadão era um exemplo de pessoa e profissional, um cara do bem, ético, humilde, um ser da melhor espécie possível, deixou um legado maravilhoso para o futebol brasileiro, nunca mais será esquecido", falou Marcelo Cardoso, presidente do Monte Azul, em entrevista ao Portal Futebol Interior.

"Estive sim no sepultamento que ocorreu nesta manhã. Foi bastante comovente, uma tristeza sem fundo", completou.

Familiares se despediram de Vadão
Familiares se despediram de Vadão
MAIS DE VADÃO
Vadão nasceu no dia 21 de agosto de 1956, na cidade de Monte Azul Paulista. Ele começou sua carreira como meia-esquerda nas categorias de base do Guarani e rodou por clubes como Noroeste, Catanduvense e Botafogo-SP.

Ao mesmo tempo, ele se formou em Educação Física e acabou aceitando o convite para ser preparador físico da Portuguesa. Iniciou a carreira de treinador no Mogi Mirim por convite do histórico presidente Wilson Barros. Lá foi responsável por montar o famoso 'carrossel caipira' no início dos anos 90.

Este time, na época, usava um esquema tático parecido à seleção holandesa, com troca de posições entre os jogadores, que revolucionou o futebol mundial em 1974 na Copa da Alemanha sob a batuta do meia Cruyff. O Mogi contava ainda com bons jogadores como o trio ofensivo formado por Rivaldo, Leto e Válber, além do zagueiro Capone que executava bem o papel de líbero.

CONQUISTAS!
O técnico ainda comandou Guarani, XV de Piracicaba, Athetico-PR (campeão do Torneio Seletivo da Libertadores e do Paranaense em 2000), Corinthians, São Paulo, Ponte Preta, Bahia, Vitória (acesso à Série A do Brasileirão em 2007), Goiás, Sport, Criciúma (campeão catarinense em 2013), dentre muitos outros. Ele foi campeão do Torneio Rio São Paulo em 2001 pelo São Paulo com um time jovem e que tinha como destaque o meia Kaká, lançado por ele aos 16 anos.

Foi vice-campeão brasileiro da Série B em 2009 e vice do Paulista pelo Guarani em 2012. Ele teve cinco passagens pelo Brinco de Ouro, num total de 204 jogos. É tratado com idolatria também pela arquirrival Ponte Preta, clube no qual dirigiu em quatro oportunidades.

Seu último trabalho foi na seleção brasileira feminina. Deixou o comando em meados do ano passado após a Copa do Mundo na França. Em suas duas passagens, Vadão conquistou duas Copas Américas (2014 e 2018), a medalha de ouro nos jogos Pan-Americanos de 2015, dois Torneios Internacionais, além de um quarto lugar nos Jogos Olímpicos do Brasil em 2016.