Chicão, caipira que se impunha

Chicão, caipira que se impunha

por ARIOVALDO IZAC - -

Asperezas d'alma do homem de hoje transformam-no em ser insensível. Que pontepretano ainda lembra do saudoso volante Francisco Jenuíno Avanzi, o volante Chicão?

Pois este sete de outubro marca o 11º ano da morte dele, aos 59 anos de idade, vítima de câncer no esôfago.

Chicão caiu no gosto da torcida pelo estilo guerreiro, mas também tinha um bom passe.

Piracicabano com indisfarçável sotaque caipira, carregado no 'erre', ele chegou na Ponte Preta em 1971, precedido do São Bento, com incumbência de substituir o também saudoso Teodoro, que havia se transferido ao São Paulo.

NO SÃO PAULO
Dois anos depois ambos jogaram juntos no Tricolor, onde Chicão sagrou-se campeão paulista em 1975 e do Campeonato Brasileiro em 1977, na final contra o Galo mineiro, quando maldosamente pisou na perna quebrada do meia Ângelo (já falecido), só por suspeitar que estivesse fazendo cera.

A brutalidade ocorreu após entrada do são-paulino Neco sobre o atleticano, que resultou em fratura.

Chicão não perdia viagens nas divididas: desarmava ou apelava para as faltas.

ARAGÃO

Provocativo, tentou intimidar o ex-árbitro José Assis de Aragão em um clássico de 1976 com o Palmeiras, e recebeu o cartão amarelo antes mesmo do início da partida. “Cheguei pro Aragão e disse: vê se apita direito essa porcaria”, havia confessado.

A boa fase reservou-lhe vaga no selecionado brasileiro na Copa do Mundo de 1978, na Argentina.

Saudoso treinador Cláudio Coutinho chamou-lhe para conversa ao pé do ouvido, quando optou por escalá-lo ao lado do também volante Batista, contra os anfitriões.

- Chicão, você vai jogar do jeito que está acostumado no São Paulo. Só tome cuidado para não ser expulso - alertou Coutinho.

Mal o treinador virou às costas, Chicão confidenciou aos companheiros: “Vou chegar arrepiando, e esses gringos vão se encolher”.

Na prática, foram poucas entradas intimidadoras sobre adversários. Naquele dia Chicão jogou muita bola, o Brasil empatou sem gols, mas por desvantagem no critério saldo de gols perdeu a vaga para os platinos.

PAROU NO MOGI MIRIM

O volante passou por Atlético (MG), Santos e encerrou a carreira no Mogi Mirim em 1986, aos 37 anos de idade, quando já estava sem os quatro meniscos.

A tentativa como treinador se resumiu a XV de Piracicaba, Inter de Limeira, Clube Atlético Montenegro e Paranapanema, todos do interior de São Paulo.