Milton Mendes analisa e elogia trabalho de Jorge Jesus: 'Deveria ser modelo'

"Nós treinadores temos que tirar o melhor do trabalho dele. Acho que deveríamos repensar a forma de atuar", disse

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 17 (AFI) - O técnico Milton Mendes tem um currículo invejável. Morando em Portugal há mais de três décadas e formado nos cursos lusos de treinadores, ele avaliou o trabalho do português Jorge Jesus, que está perto de conquistar o título brasileiro com o Flamengo e está na decisão da Libertadores da América.

"Nós treinadores temos que tirar o melhor do trabalho dele. Acho que deveríamos repensar a forma de atuar e buscar neste estrangeiro, assim como no argentino Jorge Sampaoli, uma maneira de se reinventar”, destacou.

João de Deus (e), Milton Mendes (c) e Jorge Jesus (d)
João de Deus (e), Milton Mendes (c) e Jorge Jesus (d)

NÃO É NOVIDADE
Milton Mendes também relembrou a parceria de longa data com Jorge Jesus desde que o português estava prestes a encerrar a carreira de atleta profissional.

“Jorge Jesus é um conhecido meu desde que ainda jogava no Almancilense na transição para treinador e sempre foi bastante capaz nos trabalhos que fez. A vinda dele para o Brasil me parece ser uma evolução, e todos os treinadores brasileiros deveríamos ver a sua presença como positiva", contou.

ORGANIZAR A CLASSE
"Continuamos batendo no peito dizendo que somos pentacampeões do mundo, mas o que precisamos é organizar nossa classe de forma produtiva, forte e, acima de tudo, capacitada. Temos grandes treinadores no Brasil, jovens ou não, mas, como na vida, todos precisamos entender a necessidade de buscar novas alternativas",
disse.

"O que Jesus vem fazendo aqui deveria ser modelo para novos estudos e forma de ganhar conhecimento. A crítica e o elogio fazem parte de todos os seguimentos, todavia, não devemos achar que quem elogia desmerece os brasileiros que aqui fazem um trabalho brilhante também”, assegurou.

BAGAGEM
Milton Mendes se destaca entre os demais treinadores por ter todas as licenças tiradas na Europa, podendo trabalhar em qualquer lugar do mundo. Com vasto repertório, passou nos últimos tempos por: Vasco, no Brasileirão; São Bento, na Série B; e Santa Cruz, na Série C. Assim, adquiriu conhecimento sobre realidades distintas.

"Foi uma experiência excepcional para mim, aprendi demais e agregou ao meu currículo. Nós treinadores brasileiros devemos valorizar cada trabalho que fazemos, independente da série que estamos. Não devemos pensar que somos únicos, já que a troca de experiências é fundamental", avaliou o treinador.

VISÃO
Milton Mendes ainda pediu que a classe dos treinadores se una. Só assim, acredita, haverá melhorias e, quem sabe, diminuir as trocas constantes de técnicos, demitidos rotineiramente pelos clubes, que pouco cumprem os contratos firmados.

“Devemos buscar nossos direitos para fortalecer nossos deveres. Ao invés de ficarmos remoendo bons trabalhos de estrangeiros, tínhamos que organizar uma classe capaz de buscar estabilidade nos clubes, longevidade dos conceitos e, acima de tudo, garantia do cumprimento de contratos", opinou.

"Além disso, é fundamental o reconhecimento dos nossos cursos, o que motivaria muitos treinadores a buscarem a especialização. Felicito meu companheiro Jorge Jesus que está melhor no momento, o que não significa que é melhor. Torço muito por ele, já que o sucesso dele é aumento do sarrafo de responsabilidade de cada um de nós", encerrou.